2014 - Sonhar com Rei dá Leão

Desfile
1ª escola a desfilar | 01/03/14 | Passarela do Samba
Resultado

17ª colocada no Série A (LIERJ) com 291,2 pontos

FICHA TÉCNICA

Presidente
Nésio Nascimento
Direção de Carnaval
Samuel Gasman

Autor do Enredo

Joãosinho Trinta (Adaptação Samuel Gasman e Orlando Júnior)

Carnavalesco

Orlando Júnior
Direção de Harmonia
Leandro Germano
Direção de Bateria
Mestre Léo Capoeira
Rainha de Bateria
Raphaella Nascimento
1º casal de mestre-sala e porta-bandeira

Joana Falcão e Thuan Mateus

Responsável pela comissão de frente
Breno de Souza

Componentes

2.180

Alegorias

04

Alas

21

 

SINOPSE DO ENREDO

HISTÓRICO – SINOPSE DO ENREDO


Vamos viajar no reino dos Sonhos, esse reino delirante cheio de aventuras inebriantes, em um grande turbilhão de sensações, aonde o delírio de um mestre de outrora irá novamente nos conduzir, a encontrar a nossa verdadeira origem. Primeiramente, a origem do jogo, depois o jogo como mecenas e instrumento transformador de nossa cultura e por último vamos reencontrar o nosso progenitor que foi o maior elo entre os dois mundos: O do jogo real e do carnaval sonhado.  

Por milhares de anos, as pessoas acreditaram que os sonhos foram criados por seres sobrenaturais e poderia ser usado para prever o futuro. A Bíblia trata sonhos como mensagens de Deus. Os antigos egípcios, gregos e romanos também pensavam que os sonhos eram divinamente inspirados, desta forma chamamos os anjos e querubins, para tocar seus arautos em anunciação de um inicio delirante e lúdico de um sonho. Como já dizia outro mestre “Sonhei / Que estava sonhando um sonho sonhado / O sonho de um sonho / Magnetizado”. Descem as cortinas e entramos mais profundos nos sonhos, certos que voltamos ao nosso panteon de glória, resgatamos neste momento nosso símbolo mais sagrado o condor coroado, para entrar neste universo atípico e resgatar nossa confiança. Neste sonho vieram imagens novas, apareceram anjos, borboletas e beija-flores um reino de fascinação aos olhos, juntos com a imagem de flores rodopiantes. O que seria essa imagem qual o significado para esta loucura inebriante? 

Para entendermos este sonho temos que voltar no tempo, nos remotos anos de 1870, onde após uma viagem a Paris, o empresário João Batista Viana Drummond ficou impressionado com urbanismo daquela o capital à época e, na qualidade de amigo do imperador dom Pedro II, adquiriu a antiga Fazenda dos Macacos à princesa Isabel por 120 contos de réis em 1872, no atual bairro de Vila Isabel, implantando, nela, um grande projeto de urbanização que viria a culminar, em 16 de janeiro de 1888, na inauguração de um jardim zoológico. No mesmo ano, o empresário recebeu o título de barão de Drummond.

Amante de animais tinha autorização do império para a sua importação, mantendo, em sua residência, exemplares de diversas espécies. Desse modo, instalou o primeiro jardim zoológico moderno da cidade e do país em um parque com riachos e lagos artificiais no bairro de Vila Isabel.

Com a Proclamação da República no Brasil, em 1889, e com o conseqüente fim da ajuda de custo garantida pelo imperador, a manutenção do jardim e de seus animais tornou-se um pesado encargo financeiro. Com a falta de dinheiro, o Barão, com a sua fortuna empregada na bicharada, começou a encontrar dificuldades para manter o zoológico. Daí, um mexicano, Manuel Ismael Zevada, que havia introduzido no Rio de Janeiro (Rua do Ouvidor), sem muito sucesso, o “jogo das flores”, deu-lhe a idéia do “jogo do bicho”. Assim, em 1892, o Barão organizou um passeio à empresa do Jardim Zoológico, ao qual compareceram membros destacados da sociedade e representantes da imprensa. Em meio às festividades, o Barão apresentou a sua estratégia para atrair visitantes ao local, que consistia em premiar, em dinheiro, os freqüentadores cujos bilhetes tivessem estampadas as figuras dos animais sorteados ao final de cada tarde.

Associado a Zevada que ocupou o cargo de gerente do zoológico, o Barão acabava de criar o chamado Jogo dos Bichos, que se tornou um sucesso em diferentes círculos sociais. O jogo do bicho surgiu como um divertimento da alta sociedade fluminense, como mostram os jornais da época.

Diariamente, fazia pendurar um quadro coberto por um pano, ocultando a figura de um animal, no alto do portão do jardim zoológico. Cada ingresso dava direito a um bilhete numerado – e cada número correspondia a um animal –, para concorrer ao sorteio diário do "bicho", à hora do encerramento do parque ao público. O dinheiro arrecadado era revertido, parte para a aquisição de mais espécimes para o zoológico, e parte como prêmio aos apostadores. O "jogo dos bichos", devido ao baixo valor do ingresso, revelou-se muito popular, e encontra-se na origem da contravenção atual do jogo do bicho no país. Inicialmente, os moradores do bairro (e depois visitantes de toda a cidade) faziam as apostas pela manhã e inteiravam-se do resultado do jogo do dia, afixado em um poste, ao final da tarde.

Neste momento a população começou a imaginar, buscando no belo reino dos sonhos inspiração para acertar o bicho do dia, ficou instaurada no universo popular que sonhar com Anjo era Borboleta, Sonhar com Rei era Leão, Sonhar com Gente Teimosa era Burro, com Filharada era Coelho. 

O jogo do bicho permitia apostas de "simples moedas a tostões furados" numa época em que a recessão tomava conta do Brasil. Essa modalidade de jogo, rapidamente, se alastrou pelo país e tornou-se para o pobre algo comparável à bolsa de valores para os mais abastados. Desse modo, quase sempre "investindo" com poucas moedas, o apostador nunca deixava de "aplicar" na sua "bolsa de valores", o que deu origem à expressão: "só ganha quem joga".

A organização do jogo de bicho preserva uma hierarquia como a de atores, teatro e platéia (banqueiros, gerentes e apostadores). Nessa hierarquia, o "banqueiro" é quem banca a totalidade do jogo e quem paga a banca. O "gerente de banca" ou do ponto é quem repassa as apostas ao banqueiro e o prêmio ao vendedor. O vendedor é agregado ao gerente de banca e é quem escreve e intermedia o pagamento entre o apostador e o gerente. A banca e o ponto não necessitam de um lugar fixo para operar: seus funcionários são, freqüentemente, encontrados nas ruas sentados em cadeiras ou caixas de frutas.

A ligação do jogo do bicho com o carnaval começou por volta dos anos 1930, através de Natal da Portela. Natal, desde cedo, esteve envolvido com o mundo do samba já que, no quintal de sua casa na esquina com a estrada do Portela no subúrbio de Oswaldo Cruz, realizavam-se rodas de samba. Nesse local, foi fundado o bloco carnavalesco "Vai como pode", que se transformaria na escola de samba Portela.

Após perder um braço por causa de um acidente de trem, Natal perdeu o emprego e foi trabalhar como apontador de bicho na região de Turiaçu. Em pouco tempo, virou gerente de banca e, depois, conseguiu montar a sua própria, vindo a se tornar banqueiro de jogo do bicho, controlando toda a área de Madureira.

Com a morte de seu grande amigo Paulo da Portela, Natal, como forma de homenageá-lo, resolveu investir dinheiro na Portela para que ela pudesse se transformar em uma grande escola de samba, criando aí a figura do bicheiro patrono. Somado a suas práticas clientelistas com a população de Madureira já que, devido a sua infância pobre, Natal sempre procurava ajudar aos pobres através de doação a igrejas, a instituições de caridade, pagamento de enterros, sua ligação com o carnaval começou a adquirir prestígio, sendo até mesmo convidado pelo então ministro Negrão de Lima a apresentar a Portela para a Duquesa de Kent no Palácio Itamaraty em 1959.

Como forma de se legitimar perante a sociedade, os demais banqueiros de jogo do bicho passaram a seguir o exemplo de Natal, vinculando-se às escolas de samba de suas respectivas áreas de atuação.

Em sua homenagem um Beija-Flor cantou alto que sua alma era águia branca, saudado pela majestade o samba e sua brejeira corte que lhe vê do céu. Desta forma conseguimos interpretar todos os elementos de nosso sonho, e podemos apostar que vai dar Beija-Flor, Águia e Condor na Avenida, pela primeira vez tudo junto. 

Para concluir como diria o nosso saudoso João Nogueira “Oh Natal vem e guia seus filhos para o derradeiro sonho do seu coração, volta na avenida iluminada e mostra para a rapaziada o que é a Tradição. Chegou, chegou, mas só ver quem quer quem é sonhador como a gente é.” 





JUSTIFICATIVA DO ENREDO


Em 05 de abril 1975, Natalino José do Nascimento se despediu de Madureira e foi conduzir o carnaval em outro lugar. Morria ali uma lenda viva do bairro mais famoso do subúrbio carioca: Natal da Portela, o homem "com fama de bandido e herói, feito o personagem de desenho animado que tem asas de anjo e tridente de capeta. Gostava de resumir sua vida numa única frase, muito lembrada: “Acho que era covardia eu ter dois braços também", conta Luiz Antonio Simas, em seu livro Histórias Brasileiras.

No ano seguinte, 1976, a Beija Flor de Nilópolis conquistou seu primeiro título homenageando o jogo do bicho e a figura lendária de Natal. Com um refrão que dava dicas para se saber como interpretar os sonhos e fazer a fé no bicho certo: Sonhar com filharada é o coelhinho/ Com gente teimosa na cabeça dá burrinho/ E com rapaz todo enfeitado/ O resultado, pessoal/ É pavão ou é veado, a escola de Nilópolis apresentava uma nova forma de se fazer carnaval e mudava a cara da agremiação ao exaltar o jogo do bicho.

Assim, abrindo as homenagens aos 40 anos da morte de Natal da Portela (que será em 2015), presidente de honra em homenagem póstuma do GRES Portela e grande inspirador do GRES Tradição, escola presidida desde sua fundação pelo seu filho Nésio Nascimento, apresentamos o enredo "Sonhar com rei dá leão!", reedição da campeã do carnaval de 1976, a Beija-Flor de Nilópolis.

Além de homenagear Natal, a Tradição homenageia também a escola de Nilópolis. Com a escolha deste enredo, a Beija-Flor relembra 1976, o ano que marca uma espécie de "antes e depois" da agremiação. A escola, que patinava entre posições intermediárias, deu uma virada na sua história com a chegada do carnavalesco Joãosinho Trinta e do diretor de harmonia Laíla, recém-vitoriosos pelo Salgueiro. Eles desenvolveram na azul e branco o enredo "Sonhar com rei dá leão", sobre o jogo do bicho. A escola não poupou luxo e originalidade e, de cara, arrebatou seu primeiro título. O samba foi escrito e interpretado na avenida pela primeira vez na voz marcante de Neguinho da Beija-Flor.

Obrigado, Farid Abrahão David, presidente da Beija-Flor, e ao querido e sempre presente amigo, Aniz Abrahão David pela carinhosa confiança ao GRES Tradição!

 

SAMBA DE ENREDO

compositores
Neguinho da Beija-Flor
intérprete
Marquinho Silva

Sonhar com anjo é borboleta,
Sem contemplação,
Sonhar com rei dá leão,
E nesta festa de real valor,
Não erre, não,
O palpite certo é Beija-Flor (Beija-Flor)


Cantando e lembrando em cores,
Meu Rio querido, dos jogos em flores,
Quando o Barão de Drummond criou,
Um jardim repleto de animais,
Então lançou,
Um sorteio popular,
E para ganhar,
Vinte mil réis com dez tostões,
O povo começou a imaginar...
Buscando,
No belo reino dos sonhos,
Inspiração para um dia acertar

Sonhar com filharada,
É o coelhinho...
Com gente teimosa, 
Na cabeça dá burrinho,
E com rapaz
Todo enfeitado,
O resultado, pessoal,
É pavão ou é veado


E assim
Desta brincadeira
Quem tomou em Madureira
Foi Natal, o bom Natal
Transformando sua escola
Em tradição do carnaval
Sua alma hoje é águia branca
Envolta no azul de um véu
Saudado pela majestade o samba
E sua brejeira corte
Que lhe vê no céu

 
 
 
 

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