2011 - JUAZEIRO DO NORTE TERRA DE ORAÇÃO E TRABALHO 100 ANOS DE FÉ, PODER E TRADIÇÃO

Desfile
8ª escola a desfilar | 08/03/11 | Passarela do Samba
Resultado
7ª colocada no Grupo B (LESGA) com 296,7 pontos

FICHA TÉCNICA

Presidente
Nésio Nascimento
Direção de Carnaval
Samuel Gasman

Autor do Enredo

Wagner Jacopetti

Carnavalesco

Augusto Oliveira
Direção de Harmonia
William Faria Ramos
Direção de Bateria
Mestre Léo Capoeira
Rainha de Bateria
Priscila Vidal e Raphaella Nascimento
1º casal de mestre-sala e porta-bandeira
Marcinho Siqueira e Thaísa Barros

2º casal de mestre-sala e porta-bandeira

Leonardo e Lucíola Nascimento
Responsável pela comissão de frente
Akia de Almeida

Componentes

1.500

Alegorias

03

Alas

22

 

SINOPSE DO ENREDO

Sob a égide das bênçãos do meu querido Padim Ciço...


                        A história de Juazeiro do Norte  confunde-se com a própria história do Padre Cícero Romão Batista, o Padre Cícero, a qual é impossível ficar indiferente. Idolatrado por uns, execrado por outros, poucas vezes a história brasileira testemunhou uma existência como a sua, tão cheia de nuances e contradições. Da infância pobre à transformação em líder religioso, passando pelo banimento da Igreja e sua reinvenção como político, mostraremos alguns passos que fizeram do “Padim” um fenômeno de massa, responsável por arrebatar milhões de fiéis que até hoje, 76 anos após a sua morte, fazem de Juazeiro do Norte um dos maiores centros religiosos do planeta.

                        Santo ou Impostor? O mais amado e controvertido líder religioso que já surgiu         no Brasil,  segue levando milhões de adoradores ao alto da Colina do Horto, em Juazeiro do Norte.

                        Chegou a abençoar um exército de jagunços numa revolução armada que levou a derrubada do governo local; aproximou-se de Lampião, condecorando-o “capitão”, de quem buscava apoio para combater a Coluna Prestes; arquitetou um pacto histórico entre os coronéis sertanejos, que ajudou a apaziguar a região e fez de Juazeiro do Norte o centro das aristocracias rurais do Ceará.

                        Quem foi esse homem misterioso que, mesmo tendo um Decreto de excomunhão assinado contra si, arrebatou o coração das massas e passou a memória coletiva e ao panteão popular como o santo Padim Ciço? Era um apóstolo visionário que soube entender a língua do povo, converteu multidões com sua singela pastoral sertaneja, mas, ainda assim é injustiçado por um clero intransigente, etnocêntrico, refratário as diferenças? Ou foi um sujeito astuto que usou a batina em seu próprio beneficio, amealhou fortunas em terras, imóveis e gado, alimentando a sede de poder com a ignorância de seus devotos?

                        Partindo de um pequeno vilarejo, Juazeiro do Norte tornou-se, em pouco tempo, numa das mais importantes cidades do Nordeste. Centro das atenções do povo católico e palco das peregrinações romeiras em busca do reabastecimento da fé. Em 1911, o Ceará e o Brasil viram esta cidade nascer sob as bênçãos protetoras do Padre Cícero. A sua emancipação foi o resultado de movimentos históricos e lutas importantes de uma gente procurando o caminho da liberdade.

                        Lutas se tornaram uma constante em nome do desenvolvimento e inspiradas na máxima de seu fundador, o qual se baseou  no espírito impulsivo da fé e do trabalho. A palavra de comando era o desejo do sacerdote de ver cada lar transformado em um oratório e uma oficina.

                        Este é o tema-enredo que está sendo concebido pela Escola de Samba Tradição, para o Carnaval 2011, que narrará o centenário da cidade de Juazeiro do Norte, tendo como figura central o Padre Cícero, que será venerado numa “romaria/procissão”, cujo trajeto será a Passarela do Samba, retratando o Pai, Padrinho, Santo e Protetor do povo, destacando sua liderança nata que fez com que detivesse o poder e liderança das ações políticas locais, e as exercesse com mãos enérgicas, tendo sido protagonista e mentor da emancipação e independência da cidade de Juazeiro do Norte em 1911, da qual  tornou-se seu primeiro prefeito, e principal artífice do  processo de sedição que derrubou o governo local, pouco mais de dois anos após.

                                               Num vôo magnífico pela Avenida, vislumbraremos a missão levada a cabo por Padre Cícero, focando um momento histórico que influenciou seu movimento, onde a religiosidade extremada foi a catalisadora de imensas revoltas surgidas pelo descaso tanto  dos governos quanto dos “coronéis”, tão bem imortalizado por Euclydes da Cunha, em sua obra “ Os Sertões”, por ocasião da Guerra dos Canudos, capitaneada por Antonio Conselheiro, retratando os percalços enfrentados pelo povo nordestino em sua luta contra a seca que destrói sonhos e plantações, sendo que neste trinômio, a Terra representa o solo seco para o povo sofrido, e o latifúndio para os poderosos, o Homem  as agruras comandadas por estes mesmos poderosos que geram imensas dificuldades e desigualdades, e finalmente a Luta representada pela eterna superação de quem nunca desiste, apesar de tudo... 

                        Em Tabuleiro do Norte, povoado que deu origem a cidade de Juazeiro do Norte, Padre Cícero, extremamente popular, foi eleito o seu primeiro prefeito e, uma verdadeira lenda no sertão, com o apoio dos fazendeiros locais, selou a paz entre os coronéis do sertão, episódio que ficou conhecido como o Pacto dos Coronéis, gerando uma ligação muito estreita entre o clero católico e os grandes proprietários nos sertões brasileiros. Com mão de ferro, comandou a região.

                        Nesta viagem imaginária constataremos os contrastes da história do Nordeste tais como a seca que destrói e mata, contrariamente ao verde que alimenta e gera vida, chegaremos ao Cariri, região abençoada, um oásis com abundância de água e diversa e grandiosa vegetação, verdadeiras fontes de vida, onde a esperança é sempre renovada através da fé e das romarias, aliadas a alegria do forró, do São João e do reisado, neste gigante patrimônio cultural onde se destacam os cordéis, o artesanato, a xilogravura, entre tantas outras manifestações culturais. 

                        Terra boa de cultura, do trabalho artesão, do reisado, boi-bumbá, da lapinha à devoção, do repente cantador que escreve com amor, a história deste chão.

                        Com a liberalidade poética que o Desfile das Escolas de Samba permite, os festejos do centenário da independência de Juazeiro do Norte iniciar-se-ão na pré-história, na Chapada do  Araripe, onde situa-se um dos mais ricos sítios arqueológicos do Planeta, com escavações que remontam há 110 milhões de anos, possibilitando enriquecer nosso espetáculo tanto cultural quanto plasticamente, abrindo alas para dinossauros, pterossauros, tartarugas, peixes,plantas, entre demais fósseis..., retratando ainda o berço da tribo Carirís, nação indígena que dá origem ao nome da região, que após a expulsão dos holandeses, de quem eram aliados, passa a sofrer terrível perseguição por parte dos portugueses e foi dizimada por ocasião do “Ciclo do Couro”, com a ajuda de bandeirantes . 

                        Mergulharemos na alma sertaneja nordestina, preservando tradições de forma efetiva, da mesma forma que faz sua gente, onde quer que ela esteja, sendo que aqui no Rio de Janeiro a Feira de São Cristovão é o seu maior retrato da divulgação de sua riquíssima cultura. O Pavilhão de São Cristovão, marco da arquitetura moderna brasileira, é palco das tradições do nordeste brasileiro, reduto de sua diversidade. 

                        Porém nem só de romarias vive o Juazeiro. A “Capital do Cariri” se tornou um dos grandes conglomerados urbanos, comerciais e industriais do Nordeste. Nas últimas décadas, a antiga vila de cerca de trinta casas de taipas que um dia recebeu Padre Cícero, descobriu uma nova vocação econômica. Juazeiro do Norte é a sede do maior pólo universitário do interior cearense. São mais de 50 cursos de nível superior.

                         Detém ainda o destino de turismo religioso mais visitado do país, é também a cidade onde se originou, através de uma cooperativa de crédito fundada pela família Bezerra de Menezes, em 1938, um dos maiores bancos múltiplos do Brasil, ( BICBANCO ), expandindo as oportunidades para seus produtores cooperados, colaborando, sobremaneira, para o desenvolvimento de Juazeiro do Norte. Quando a família Bezerra de Menezes torna-se acionista majoritária do Banco do Juazeiro, D. Maria Amélia, matriarca da família, assume a presidência,  sendo a primeira mulher a ocupar este cargo em um banco no país. Juazeiro do Norte é ainda a referência do “ Metrô do Cariri”, cujo trajeto Juazeiro/Crato, coincidentemente, é o mesmo que foi inaugurado por Padre Cícero. Em Barbalha, no Cariri, está instalado o único pólo industrial a fabricar trens e vagões no país. Isto é um Bom Sinal, pois será nos trilhos da modernidade que Juazeiro do Norte, e toda a região do Cariri, seguirá seu destino nos próximos cem anos...

                        Óxente, é o Ceará no Carnaval, mostrando que sua história riquíssima e atraente, não se restringe  apenas a seu belo litoral.

                                               

VALEI-ME,  MEU PADIM CIÇO

 

SAMBA DE ENREDO

compositores
Zé Gomes, Darlan Alves, Emerson Sam e Rodrigo Jacopetti.
intérprete
Lico Monteiro

Vem, no calor da bateria
É hora de seguir a procissão
Tá aí, meu querido Padim Ciço,
A nossa romaria em teu louvor
O pai desse povo tão mestiço
Seu Santo, e padrinho protetor
Um líder natural, poder de comandar
Mão firme..., Virou lenda do sertão


Ah! Pode abrir o seu sorriso
A alma, e também o coração
Pois, nesta festa abençoada
Ecoa o tambor da Tradição!

Nas asas do “Condor” então voei
Em busca do que foi sua missão
Da saga nordestina que assusta
A seca que destrói as plantações
A Terra, o Homem, a Luta...
Mistérios da eterna evolução


O verde da vida, lá no Cariri
Cordéis e santeiros, na Sapucaí

Contrastes da história do Nordeste
Mosaico da cultura nacional
Terra de “cabra da peste”
- “Óxente” ! É o Ceará no  Carnaval!


Hoje eu sou romeiro e canto forte
Um samba de amor e devoção
À Juazeiro do Norte,
100 anos de fé e oração!

 
 
 
 

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