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2004 - Contos de Areia

Desfile
1ª escola a desfilar | 23/02/04 | Passarela do Samba
Resultado
12ª colocada no Grupo Especial (LIESA) com 372,9 pontos

FICHA TÉCNICA

Presidente
Nésio Nascimento

Autor do Enredo

Edmundo Braga e Paulinho do Espírito Santo, Hiram Araújo, Vicente Datolli e Ricardo Cravo Albim

Carnavalesco

Orlando Júnior
Direção de Harmonia
Ney Nascimento
Direção de Bateria
Mestre Dacopê
Rainha de Bateria
Priscila Vidal
1º casal de mestre-sala e porta-bandeira
Julinho e Danielle Nascimento

2º casal de mestre-sala e porta-bandeira

Rafael e Thaisa Barros
Responsável pela comissão de frente

Georgete Vido, Gladis Barão e Célia 

Componentes

3.800

Alegorias

08

Alas

31

SINOPSE DO ENREDO

Enredo: Contos de areia - Paulo da Portela, Natal e Clara Nunes

Autores do enredo: Edmundo Braga e Paulino do Espírito Santo

Carnavalesco: Orlando Júnior

Elaboração de Enredo: Hiram Araújo, Vicente Dattoli e Ricardo Cravo Albin


Tal e qual a Liga Independente das Escolas de Samba, a Tradição completará, em 2004, 20 anos. 

Somos a caçulinha do Grupo Especial. 

Quando a Liga sugeriu que, para comemorar seu vigésimo aniversário, as Escolas reeditassem antigos sucessos, imediatamente a Tradição começou a buscar, entre as co-irmãs, um samba (e um enredo) que pudessem fazer parte desta festa – nossa Escola não teria algo de seu para exibir. 

E isso ficou na mente de nossos diretores e simpatizantes. 

Com a liberação, por parte da Liga, dos rumos a seguir, passamos a estudar outras possibilidades de enredo. 

Batia forte, porém, dentro de nós um desejo... 

Fomos procurados por amigos que tinham grandes idéias.

Empresas nos assediaram... Enfim, opções não faltavam. 

Mas continua latente em todos nós a vontade de falar de algo que preenche nossas vidas: falar do Carnaval, de pessoas amigas, de gente do samba. 

Muitos de nossos fundadores (para não exagerar e dizer todos) eram – alguns ainda o são – componentes da Portela. 

Portela tantas vezes campeã. Portela de Paulo, Portela de Natal, Portela de Clara... 

Como não somos donos de nossas vidas, em 1984 muitos de nós realizaram seus últimos desfiles na Portela. 

Conquistamos o título do desfile de Domingo de Carnaval. 

Inesquecível.

Agora, com a possibilidade que a Liga nos abre, vamos falar exatamente daquele samba, daquele enredo. 

Infelizmente muitos dos que ajudaram a realizar aquele sonho não estão mais conosco. Pelo menos não aqui – mas certamente vibrarão ao ver o que iremos preparar para o grande público da Sapucaí. 

Com a bênção de Paulo, de Natal e de Clara, a Tradição tem o prazer de apresentar para quem não conhece, e relembrar para quem não esquece... 

“Contos de Areia” 


E estava escrito... 

Quando o beato padre Anchieta escreveu o poema à Virgem Santíssima nas areias à beira mar, estava sem dúvida compondo também um canto de louvor a Iemanjá, pois nesta terra o sincretismo e a miscigenação já eram decisão do Criador. 

E não era presságio, era afirmação quando os antigos, negros como noite, carapinhas prata de luar passavam de boca em boca, nos seus risos banguela os cantos mais secretos e mitos nos longínquos tempos de abeucuta – Óio e Keto. 

Afirmavam que seus deuses mais queridos, orixás mais temíveis, voariam com seu povo cativo na humilhação e na escravidão renasceriam em segredo nos filhos dos seus filhos, nos netos dos seus netos, em terra casta de além mar para serem cultuados e perpetuados em ritos, mitos e dengos. 

A escravidão do tempo chegou e ficou, até que os raios da aurora rasgassem o véu negro da noite e a luz trouxe o presente. 

E nas praias molhadas de mar – outra vez Contos de Areia são escritos, poemas cantados, rabiscos gravados mostrando que cada um de nós – grão de areia – incorpora uma personalidade mística ancestral, vinda de longe, para formar no santuário negro e sacro mosaico dos nossos destinos. 

Mesmo que os ventos quentes dos desertos nos seus redemoinhos frenéticos espalhem as douradas dunas e com a sua dança lasciva apague os poemas e memórias neles escritos. 

Mesmo que as águas azuis das marés cubram de espuma o mito de cada um de nós, escritos nas areias das praias – gravados ficarão para sempre na memória dos espaços infinitos os “Contos de Areia” 



ABERTURA:

Todo  conto - contado 

Reza - rezada 

Mito - narrado 

Sonho - sonhado 

Precisa de um lugar para ser contado – rezado – narrado – e sonhado. 

Se a lenda é fantasia, e a fantasia é o irreal, nada mais lógico que seja na Bahia o local de incorporação e união entre Homens e “Santos” porque a Bahia é... 

O berço das lendas 

A terra dos mitos 

Tenda dos Orixás 

Santuário dos deuses negros 

Bahia que entre o mar e a poesia tem um porto – Salvador. 

Bahia onde os Contos são sonhos, os sonhos poesia, poesia negritude como as lendas do seu povo e as raízes do seu passado fincadas na África.

Bahia – cidade gorda, farta de dendê  e cacau, que debruçada sobre  o mar, finge não saber de nada, fica tomando sua fresca, vendo a lua se escamar na maré enchente, seus saveiros serenos, suas ladainhas seus segredos, santos e orixás.

Verdes vales – conventos e igrejas cor de osso – orikis alujas, ebos e festanças o ano todo. 

Bahia onde tudo se mistura, se disfarça, sendo duas coisas ao mesmo tempo – caruru prato típico e Amalá Xangô – São Jorge, santo de fé, Oxossi, orixá dos bichos e caçador lá das bandas de Ijebú Ode. 


Na Bahia  o mar é azul 

o céu é azul 

o rio vermelho é azul 


Só as areias são brancas onde são escritos, contados e sonhados com sabedoria os ABC da vida. 

A história da cada um de nós, que teve na vida a glória de poder trilhar com garbo e razão os caminhos traçados por Olodumaré, o Criador.

  

O Primeiro Conto: 

Oranian - O Criador do Mundo 


No começo, a terra não existia...No alto era o céu, embaixo era a água e nenhum ser animava o céu nem a água. Ora, o Todo-Poderoso Olodumaré, o senhor e o Pai de todas as coisas... Criou, inicialmente, sete príncipes coroados... Em seguida, sete sacos nos quais havia búzios, pérolas, tecidos e outras riquezas. Criou uma galinha e vinte e uma barras de ferro. Criou, ainda, dentro de um pano azul, um pacote volumoso cujo conteúdo era desconhecido. E finalmente uma corrente de ferro muito comprida, na qual prendeu os tesouros e os sete príncipes. Depois, deixou cair tudo do alto do céu... No limite do vazio só havia água ... Olodumaré , do alto de sua morada divina, jogou uma semente que caiu na  água. Logo, uma enorme palmeira cresceu até os príncipes, oferecendo-lhe um abrigo grande e seguro, entre as suas palmas. Os príncipes se refugiaram ali e se instalaram com suas bagagens. Eram todos príncipes coroados e, conseqüentemente, todos queriam comandar. Resolveram  separar-se. 


Antes de se separarem para seguirem seus destinos, os príncipes decidiram repartir entre eles a soma dos tesouros e das provisões  que o Todo-Poderoso lhes havia dado. Os seis mais velhos pegaram os búzios, as pérolas, os tecidos e tudo o que julgaram precioso ou bom para comer. Deixaram para o mais moço o pacote de pano azul, as vinte e uma barras de ferros e a galinha... Os seis príncipes partiram à descoberta nas folhas de palmeira. Quando Oranian assim chamava o mais jovem dos príncipes, ficou sozinho, desejou ver o que continha o pacote envolto no pano azul. Abriu-o e viu uma porção de substância ouro que ele desconhecia... Sacudiu então o pano e a substância ouro caiu e não desapareceu. Formou um montículo. A galinha voou para pousar em cima. Ali chegando, ela pôs-se a ciscar essa matéria dourada, que se espalhou para longe. E o montículo se ampliou e ocupou o lugar da água. 


Nasceu assim a terra nas suas mais variadas formas – ouro como o sol, vermelha como o sangue dos bravos. 

Lançou então Oranian sobre os vales e campo o manto sagrado de Orum, transformando a natureza em um hino de cores e festa. 


No azul do céu 

No azul do mar 

No azul dos rios 

E a mágica dança das cores – azul, amarelo e vermelho na sua cristalina fusão, percorreu os devãos escuros da terra virgem, fazendo-a gestante da procriação e da vida. 

ORANIAN

O Primeiro Mito: 

  

...de como Oranian, o deus negro cria outro mundo na pessoa de um sambista... 

O ABC de Paulo Benjamim de Oliveira

(Paulo da Portela) 

- O criador do seu – meu – nosso mundo azul e branco – 

  

  

Paulo da Portela 

Hoje, nos desfiles foliônicos que nos dias de Carnaval constituem o ponto máximo dos festejos presididos por Momo, deus galhofeiro de mitologia, rei rotundo soberano mentor da lei: rir – cantar – brincar; tem nas Escolas de Samba o desenvolvimento artístico-folclórico que as põem em competição seus adeptos dirigentes, alas, enfim, na sua maioria sambistas que reverenciam sempre os que na origem de tais conjuntos, o muito que deram de seu entusiasmo e as fizeram chegar ao esplendor atual. 


O crioulo, humilde, pode-se afirmar, poeta, lustrador de móveis, profissional, cujo nome exato era Paulo Benjamim de Oliveira, mas que no samba e, por extensão, também na folia carnavalesca, passou a ser popularmente o Paulo da Portela, pois na estrada que tem o nome de Portela foi fundada por ele e ali permaneceu por muito tempo a Escola da Samba da Portela, ou o Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela.  Na denominação de um delegado de policia (Dr. Dulcidio Gonçalves) determinou: que a qualificação de “Grêmio Recreativo” constasse atendendo o nome de todas as “escolas”, não tem, nos dias de hoje, quem o relembre como merece. Apenas a veneração dos velhos carnavalescos e da “Velha Guarda” do samba mantém vivo o seu nome. 


Paulo da Portela, para que, em tal relato, se fizesse pagamos nossas penas no purgatório da vida e no seu rio azul de alegria, desfilam cabeças emplumadas de fantasia pedindo maleme pelas faltas dos esquecimentos, cantando suas glórias e saudades em azul e branco. 


Porque você é história na música simples das ruas, que não ficou apenas contido nas manifestações carnavalescas. 


Transcendeu-se como Oranian, o criador, e com o manto azul da sua escola – A PORTELA – fez surgir do nada o esplendor da vida – a cor e a alegria. 

Paulo da Portela

Oranian  


O Segundo Conto: 

OXOSSI


Senhor da caça 

Orixá dos bichos 

Dono dos homens 

No Brasil, seus numerosos iniciados usam colares de contas azul esverdeados e quinta-feira é o dia da semana que lhe é consagrado. Seu símbolo é, como na África, um arco de flecha em ferro forjado.  Sacrificam-lhes porcos e são-lhes oferecidos pratos de “axoxô” (asoso) milho cozido, servido com fatias de côco. 


Oxossi é sincretizado na Bahia com São Jorge e com São Sebastião, no Rio de Janeiro. 


No decorrer do “xirê” dos orixás, ele segura em uma das mãos o arco e a flecha, seus símbolos, e na outra, um “erukerê” (espanta-moscas), insígnia da dignidade dos reis da África e que lembra ter sido ele rei de Keto. Suas danças imitam a caça, a perseguição do animal e o atirar da flecha. Oxossi é saudado com o grito “Okê”. 


Conta-se no Brasil que Oxossi era irmão de Ogum e de Exu, todos os três filhos de Iemanjá. Exu era indisciplinado e insolente com sua mãe e por isso ela o mandou embora. Os outros dois filhos se conduziam melhor. Ogum trabalhava no campo e Oxossi caçava na floresta das vizinhanças, de modo que a casa estava sempre abastecida de produtos agrícolas e da caça. Iemanjá, no entanto, andava inquieta e resolveu consultar Ifé. Este lhe aconselhou proibir que Oxossi saísse à caça, pois arriscava-se a encontrar Ossain, aquele que detém o poder das plantas e que vive nas profundezas da floresta. Oxossi ficaria exposto a um feitiço de Ossain para obrigá-lo a permanecer em sua companhia, Iemanjá exigiu, então, que Oxossi renunciasse a suas atividades de caçador. Este, porém, de personalidade independente continuou suas incursões à floresta. Ele partia com outros caçadores e como sempre faziam, uma vez chegado juntos a uma grande árvore (iroké), separavam-se prosseguindo isoladamente, e voltavam a encontrar-se no fim do dia e no mesmo lugar. Certa tarde, Oxossi não voltou para o reencontro, nem respondeu aos apelos dos outros caçadores. Ele havia encontrado Ossain e esta dera-lhe para beber uma poção onde foram maceradas certas folhas como a amúninuyé, cujo o nome significa “apossar-se de uma pessoa e de sua inteligência”, o que provocou em Oxossi uma amnésia. Ele não sabia mais quem era, nem onde morava. Ficou então vivendo na mata para cuidar, criar e caçar os bichos das matas. 

  

Oxossi 

Rei de Ketu 

Dono dos bichos 

Amigos dos homens 

Segundo Mito: 

...De como o deus negro Oxossi, na pessoa de um sambista, forjou 

em azul e branco o santuário do samba. 

O ABC de Natalino José do Nascimento 

Senhor de fé 

Dono de bicho 

Amigo dos homens 

  

  

O Homem de um braço só 

Águia 

Borboleta 

Cavalo 

Cavalo não, foi cotado no dia de São Jorge 

Dezena 

Centena 

Milhar 

Invertido pelos sete 

O  dialeto especial do bicho na boca do povo perpetuado pelos tempos 

O jogo dos tostões 

Lista no poste 

Lista no papo que a cana já vem 

  

O jogo do bicho, vulgarmente chamado, é a mais antiga, tradicional e folclórica contravenção carioca, mas tem na sua inocência seus rígidos mistérios, códigos de honra e deveres entre seus manipuladores. 


Das fezinhas diárias sai o sustento de famílias, orfanatos e entidades filantrópicas, não furtando-se entretanto seus chefes – “donos de ponto” de fazerem sua agremiação, de preferência esportiva ou recreativa o seu ponto de encontro social e de lazer. 


Foram nas agremiações carnavalescas que “os donos de bicho” encontraram maior receptividade, por serem essas entidades populares pontilhada das mais puras amizades, despojadas dos preconceitos da vida. 

  

Tapinhas nas costas 

Lourinha gelada – em goles fartos 

Batucada na mesa 

Sorriso largo 


E você já é da casa, fazendo vestibular para sambista... 

... e NATAL, não foi exceção, incorporando-se ao samba e não deixou por menos. 

  

Presidente 

Presidente de Honra 

Patrono 


A afirmação das Escolas de Samba como folclore e beleza plástica foi conseguida por meio de muito sacrifício. A elaboração e evolução de cada organização foram moldadas sobre a dedicação de muitos, e o ferro que forjou a Portela teve em Natal um de seus principais artesãos e com o amadurecimento artístico de sua escola Portela, o envelhecimento e cansaço do bamba, que marcou os desfiles de carnavais, com sua figura simples e enérgica. Como tudo que nasce, morre; um dia rompeu-se o elo e Natal juntou-se, quem sabe, a outros artistas, carnavalescos e sambistas que, no infinito, formam a constelação azul e branca de estrelas carnavalescas . 

  

Vou me embora 

Vou me embora 

Eu aqui volto mais não 

Vou morar no infinito 

E virar constelação 

E o homem do bicho virou mito 

  

Okê ! Natal 

Okê ! Oxossi 

  


Terceiro Conto: 

Oia Yansã 


Rainha Guerreira 

Raio de luz 

Claridade divina 

Vêm de muito longe bem distante 

Da velha África, terra amada 

Lindos contos encantados 

Oh ! Noite africana de cor de raça 

Abra mulher agora suas asas 

Faça deste chão a sua casa 

Um jardim de orixás 

Porque hoje quer contar ao vento 

Desacorrentar o tempo, bater pão e adubão 

Salve Yansã, deusa dos raios, relâmpagos e trovões 

Oyã balé senhora da vida e da morte

Eparrei acoa agora, que seus raios nessa história iluminem os corações 

  

Deusa querida da guerra 

Hoje cantamos em teu louvor 

Raio de amor, resplendor da terra 

Assim conta a lenda 

Um certo dia ao chegar em casa encontrava Yansã Obã dormindo 

  

Sob a linda tenda de ouro 

Na mão direita o colobã divino 

Taça de eterno brilho 

Cheia de mistério e de presente de Olorum, seu pai 

  

Na hora em que o dia se veste de branco 

Antes do divino repouso 

Oferece Oxum, a rainha, 

Na divina taça o líquido sagrado a seu marido e rei 

  

Dizendo: dentro deste colobã 

Dorme um precioso líquido 

Que fará de você grande deus 

Tão grande quanto eu senhor do infinito 

Prova Xangô um pouco do encanto 

Neste momento um estrondo se ouve 

Um clarão tudo clareia 

Homens saem do seu corpo 

Como se morassem suas veias 

São cavaleiros sagrados 

Os doze ministros de Xangô 

Filho do grande estrondo 

Do clarão que passeia 

Sem que Obã acorde 

Apanha Yansã a taça 

Pois tudo sabia 

Estivera escondida aquele dia 

  

No vestido da fumaça 

Abre um sorriso brilhante 

Baila pelo ar 

Bebe todo encantado 

Começa a relampejar 

O céu se abre em chamas 

Raios descem sobre o mar 

Rasga o tempo, acorda o vento 

Matamba oya Messorum 

Agora senhora da tempestade 

Rainha guerreira 

Soberana dos Eguns 

Epa-Hey 

  

Oiã – Yansã 

  

  

O Terceiro Mito: 

...De como a deusa de luz Yansã, na pessoa de uma sambista cantou em azul e branco hinos de glória e brados de guerra. 

  

O ABC de CLARA NUNES 

  

Clara claridade 

Clara azul e branco – Portela 

Clara Brasil moreno 

Cheiro de mato – terra molhada 

Senhor de fruto doce – vaidade e fulgor 

Pássaro canto – guerreira feroz, amor febril 

Mineira nascida de samba rasgado – na cidade de Paraopeba 

Momentos da vida modesta nos reisados – divinos e batuques 

  

Tradição mineira da mais pura negritude 

Hino que surgiu do canto e da luz que desdobrou em eternos acordes para a vida 

Raios azuis, orixás fulgurantes, incandescente amor nas coisas sagradas do espírito e respeito aos homens de cor

Quando luz de sua existência irradiando, iluminando os espetáculos sombrios do mundo, desdobrou-se em infindável melodia, 

Todas coisas cantaram na sua claridade porque a beleza se escondia antes na sombra 

E então o senhor no seu “egoísmo” santo viu que a sua existência era tão boa que chamou a luz para si, para com ela clarear o amanhecer 

As estrelas 

As trevas da nossa saudade 

  

EPA-HEY 

CLARA NUNES 

EPA-HEY 

OIA-YANSà

SAMBA DE ENREDO

compositores
Dedé da Portela e Norival Reis
intérprete
Lourenço Jorge, Jorge Makumba e Marcos Glorioso

Bahia é um encanto a mais
Visão de aquarela
E no ABC dos orixás
Oranian é Paulo da Portela
Um mundo azul e branco
O Deus negro fez nascer
Paulo Benjamim de Oliveira
Fez esse mundo crescer

Okê, okê Oxossi
Faz nossa gente sambar
Okê, okê Natal
Portela é canto no ar


Jogo feito, banca forte
Qual foi o bicho que deu ?
Deu Águia, símbolo da sorte
Pois vintes vezes venceu

É cheiro de mato
É terra molhada 
É Clara Guerreira 
Lá vem trovoada


Epa-hei! Iansã Epa-hei!

Na ginga do estandarte
Portela derrama arte
Neste enredo sem igual
Faz da vida poesia
E canta sua alegria
Em tempo de carnaval

2004 GRES Tradição - RESUMO
05:14
GRES Tradição 2004
01:18:08
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