1998 - Viagem Fantástica ao Pulmão do Mundo

Desfile
1ª escola a desfilar | 23/02/98 | Passarela do Samba
Resultado
11ª colocada no Grupo Especial (LIESA) com 247 pontos

FICHA TÉCNICA

Presidente
Nésio Nascimento

Autor do Enredo

Orlando Júnior

Carnavalesco

Orlando Júnior
Direção de Harmonia
Rosângela Santi
Direção de Bateria
Mestre Dacopê
Rainha de Bateria
Luma de Oliveira
1º casal de mestre-sala e porta-bandeira
Danielle Nascimento e Julinho César Nascimento

2º casal de mestre-sala e porta-bandeira

Lúcia e Vinícius de Jesus Tomaz
Responsável pela comissão de frente
Roberto Lima e Getúlio Melo

Componentes

3.500

Alegorias

08

Alas

35

 

SINOPSE DO ENREDO

“Viagem fantástica ao pulmão do mundo”


Origem


É um enredo dentro de uma realidade, que demonstra a importância da AMAZÔNIA no MUNDO.

Tomando-se uma história cultural na humanidade, é o momento em que a TRADIÇÃO passa a ter o contato com a Amazônia através da história.

Uma viagem Fantástica em que o Condor, símbolo da TRADIÇÃO, prepara seu vôo natural, em identidade com a Natureza que nos conta esta Viagem Fantástica, “Ao Pulmão do Mundo”.


Introdução


É um novo dia


Amanhece neste continente verde, onde existe a maior fauna, a maior flora, a maior reserva de oxigênio, e a maior bacia hidrográfica do mundo, numa área de 5.079.450 Km2.


Será mesmo que amanhece?


As árvores são tão altas e copadas, que a luz do Sol não penetra até o solo. A claridade não chega onde as plantas rasteiras cobrem o chão, onde rastejam cobras e jacarés.

O clima é quente e úmido. A linha do Equador atravessa a região. As chuvas são abundantes e freqüentes.


E o homem? Quem é o homem desta região? O homem da Amazônia?


Dos Andes, provavelmente veio um povo que tentou dominar a imensa floresta.

Seus vestígios são encontrados nas Cerâmicas Marajoaras, soterradas nas ilhas da foz do rio AMAZONAS. Há quantos mil anos tudo isso aconteceu?


Não Sabemos


Os arqueólogos tentam decifrar o enigma da origem do BRASILÍNDIOS, comparando a cerâmica marajoara encontrada em escavações na Ilha de Marajó, com a cerâmica mais recente dos nossos Índios Tapajós.

Podemos afirmar que o nosso Índio não é nascido neste continente. Provavelmente o BRASILÍNDIO é descendente de homens de outros continentes, que chegaram ao Brasil muitos séculos antes de Pedro Álvares Cabral.


Mundo Mágico


A Natureza envolve o homem na Amazônia.

A grandiosidade da selva e o domínio das águas, das chuvas e das enchentes, pré-dispõe o homem a acreditar nos mitos e nas lendas. Surgem os Boitatás, os Boiunas, as Iaras, os Mapinguaris, os Curupiras e os Caboclos D’água.


A mente do homem se povoa de parema (medo)


A todo instante existem perigos: enchentes, terras caídas, igarapés movediços e plantas que produzem venenos terríveis.


Tudo e sempre novo e perigoso


Hoje surge um novo dia para a Amazônia.

Esse novo dia está sendo concretizado numa das maiores obras do nosso tempo - A TRANSAMAZÔNICA. Uma rede de estradas que contará para o Brasil “O Inferno Verde”, região onde o sonho e mistérios se reúnem.

O G.R.E.S. TRADIÇÃO, preocupado com o grande número de desmatamentos existentes em diversos pontos e locais do país. que ocasionam a destruição das grandes florestas, vem contar estórias e lendas da maior floresta Equatorial do mundo.

Falar do Amazonas sem falar do mito ou realidade, em razão do nome dado ao maior rio existente é começar pelo meio, pois conta a história que, para os brasileiros que defendem esta tese, a situação é privilegiada, pois o Amazonas se tomou parte de nossa história.

O estado mais vasto e o maior dos rios do país foram batizados com seu nome, uma homenagem do capitão Francisco de Orellana que, ao navegar o grande rio em 1542, encontrou mulheres guerreiras e com elas ficou impressionadíssimo, a ponto de, ao voltar à Espanha, recusar o prêmio que lhe davam, denominando o rio de “Amazonas”, antes chamado Grande Maranhão, Mar Dulce ou Rio da Canela.

Apesar da glória de ter sido ele o primeiro a percorrer o rio inteiro, Orellana preferiu divulgar ao mundo a existência daquelas mulheres, e o que melhor para isso do que chamar o rio de Rio Amazonas.

A floresta do Amazonas, escura, úmida e sufocante é o lugar de todos os perigos e de todos os sortilégios, reino das plantas venenosas, das aranhas gigantes e dos répteis de mordeduras terríveis. Esse “Inferno Verde” é também domínio do Deus Cobra e esconde o misterioso eldorado.

Para os índios que lá vivem em liberdade, não existe fronteira precisa, entre a realidade e o sobrenatural, tudo lá é sujeito à lendas.

A floresta Equatorial ou Amazônica, dentre vários tipos de floresta, é a mais impressionante pela sua formação botânica, tendo sido chamada “Heléia” por Humberlote e “Inferno Verde” por Alberto Rangel. Há diversas espécies de vegetais, vivendo todos misturados, ligados por cipós e lianas, como a “Mata do Igapós” onde predominam. árvores, arbustos e trepadeiras. a “Mata das Várzeas”, com inundações durante as cheias, onde há o domínio da seringueira e cacaueiro nativo e a “Mata da Terra Firme”, situada nos terrenos mais elevados, alcançando a Floresta, sua expressão máxima. (algumas árvores dessa área chegam a atingir 80 metros de altura). Essa floresta constitui-se em enorme reserva de madeira, óleos, fibras, essências e uma infinidade de outras riquezas.

O primeiro explorador da Amazônia foi Francisco Orellana, foi ele que deu o nome ao grande rio, como recordação de uma batalha épica contra uma tribo de guerreiros de cabelos compridos que os europeus tomaram por mulheres e que lhes lembram as Amazonas da mitologia.

Os banquetes dos canibais a que eles assistiam, os ritos sangrentos, os costumes estranhos, a nudez geral de todos aqueles homens, todas essas diferenças contribuíram para o nascimento de uma amazônia lendária.

Os aspectos culturais mais importantes foram freqüentemente esquecidos. Só o exotismo reteve a curiosidade do viajante dessa época, cuja única finalidade era, muito freqüentemente, a aquisição das riquezas fabulosas que o novo mundo encerrava, a Busca do Eldorado.

Os Bandeirantes, esses aventureiros sem escrúpulos, que não hesitavam em penetrar no interior do Inferno Verde a procura das madeiras preciosas, do ouro e das esmeraldas, pilharam, mataram e reduziram à escravatura dezenas de tribos.

A partir do século XVII, tendo-se às epidemias juntado o terrível genocídio, centenas de tribos desapareceram. Mais recentemente, a construção da Transamazônica e a exploração das novas minas fizeram.desaparecer várias tribos.

Os índios do Amazonas são em geral de estatura média e bem proporcionados. de nariz achatado, com as maças do rosto salientes. uma arcada supraciliar e uma dobra na pálpebra. que dá aos seus olhos aquela forma “mongólica”.

Os homens e mulheres vivem completamente nus e pintam o corpo de Urucum Vermelho e Genipapo Azul Escuro, por vezes Branco. A pintura vermelha não tem apenas uma utilidade decorativa. Serve de proteção contra picadas dos insetos e é considerada uni escudo mágico contra os espíritos maus.

Os índios do Amazonas, gostam muito de se enfeitar com diademas, jóias feitas de plumas, sementes, conchas e dentes de jaguar. Não são indolentes, nem preguiçosos ou desconfiados, são metódicos no seu trabalho. Sempre alegres, adoram brincar, divertir-se de qualquer coisa. A divisão do trabalho entre os homens e mulheres é muito rigorosa.

Existem várias particularidades não descritas que fazem parte dos modos e costumes dos indígenas. Assim como a cultura, apesar de pertencerem a diversos grupos culturais, os Índios do Amazonas possuem os mesmos costumes, as mesmas crenças e as mesmas superstições, só alguns pormenores mudam: a espécie animal, o nome próprio. Porém, no fundo a estória é a mesma: cada tribo tem seu CHAMAN (feiticeiro), que rege as práticas rituais, serve de intermediário entre os homens, os Deuses e as almas dos mortos, e é também curandeiro, conselheiro e profeta. Alguns nomes usados entre tribos: Cacique, Cassarip (caldo obtido fazendo-se reduzir com pimenta a água de lavagem de mandioca amarga e no qual cozem todas as espécies de pedaços de carne, peixe, bagas, raízes, insetos e larvas).

O paraíso existe, como provam os seus descobridores.

Precisamos nos lembrar de que tal sítio não pode se acabar. Se somos inoperantes, precisamos de ajuda. Que venham em nosso auxílio os Caiporas. os Sacis. os Boitatás e a Mãe D’água.

Eles que são os guardiões do paraíso, que continuem a proteger o Pulmão do Mundo.

Qualquer que seja a nossa filosofia de vida, a cor de nossa pele, a origem de nossos pais, todos temos em comum algo de muito importante: um profundo amor pela nossa terra.

No afã de confirmar este amor devemos sempre procurar conhecer melhor este nosso país - Continente. “Ao Pulmão do Mundo”.


Orlando Júnior

Carnavalesco


BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:


•     A Amazônia (mitos e lendas)

Daniel Küss - Jean Torton

Bertrand Editora


•     Brasil - Histórias, Costumes e Lendas
Luiz Carta, Domingo Alzugaray, Fabrizio Fazano

Responsável Armando Gonçalves - Editora Três


•     Amazônia - Natureza - Homem e tempo
Leandro Tocantins

Segunda Edição - 1982 - Biblioteca do Exercito Editora


•     História Geral

A. Souto Maior

Primeira Edição - Cia. Editora Nacional


•     Dicionário do Folclore Brasileiro
Luiz da Camara Cascudo

Instituto Nacional do Livro - Rio de Janeiro – 1954


  • Fundação de Manaus

Mano Ypiranga Monteiro

Terceira Edição - 1971 - Editora Conquista


•     Lendas e Mitos da Amazônia

Pesquisa de Jacques Cousteau


•     Material da Multi-Rio

(vídeos - folders e prospectos)

Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro.


•     Pesquisa da FEEMA - sobre o Meio Ambiente
Rua Fonseca Teles, em São Cristóvão


•     Dados do IBAMA sobre a Amazônia e o Meio Ambiente.

 

SAMBA DE ENREDO

compositores
Taroba, Lima, Sandro Maneca, Jonas Camiseta, Marcos Glorioso e Arismar Ubaldino
intérprete
Taroba

É fantástica, essa viagem emocionante
O condor alçou seu vôo
Em busca de mistério tão distante
Amazônia, quanta beleza sem igual
Fonte de tanta riqueza
Que Orellana se encantou
Eu vi mulheres guerreiras
A fauna e a flora, naveguei no rio mar
A lenda vitória-régia
O boto cor-de-rosa a brincar
O homem branco surgiu  
E o sossego acabou
O índio logo sentiu
Perigo devastador


Ôôôô
Um grito na floresta ecoou, ecoou
Ôôôô
O índio vem dançar o seu louvor


Hoje tanta emoção traz essa festa
Parintins vem da Amazônia, pra Sapucaí
Meu boi-bumbá, meu boi-bumbá
Menina linda se enfeitiçou
Contos de fazer sorrir
Magias de arrepiar
Histórias que é pra boi dormir
Do folclore popular


Verde que te quero verde
A mãe d'água para abençoar
Ah !! É linda a Amazônia
Nosso pulmão respira com a Tradição

 
 
 
 

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